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O dia em que Piquet perdeu a cabeça

Vídeo curtoFórmula 11 min

Líder da corrida, foi tirado da pista por um retardatário e desceu do carro para tirar satisfação.

O choque encerra tudo num instante. Dois carros ficam parados na pista. Nelson Piquet sai da Brabham tomado pela raiva e parte para cima de Eliseo Salazar. A corrida dos dois acabou. Mas, antes da colisão, Piquet liderava em Hockenheim e preparava uma parada que ainda podia mantê-lo na disputa pela vitória.

A aposta da Brabham

O Grande Prêmio da Alemanha aconteceu em 8 de agosto de 1982, em Hockenheim. Piquet largou em terceiro com a Brabham BT50. Na segunda volta, passou René Arnoux, da Renault, e assumiu a liderança.

A equipe apostava numa estratégia agressiva: pouco combustível e pneus macios no início da corrida. Mais leves e rápidos, eles ajudavam Piquet a abrir vantagem. Em troca, ele precisaria parar para reabastecer e trocar os pneus. A parada já estava prevista no plano.

A margem chegou a cerca de dezesseis segundos. Piquet seguia acelerando, sem aliviar o ritmo. Ainda faltava aproximadamente metade da prova, e a liderança não garantia a vitória. A distância, porém, podia dar à Brabham tempo suficiente para parar e voltar à pista ainda na briga.

O encontro na Ostkurve

Piquet começou a alcançar os carros mais lentos para colocar uma volta neles. Na sequência de curvas da Ostkurve, encontrou a ATS de Salazar. Faltavam duas voltas para sua parada programada quando tentou ultrapassar o chileno.

Antes da zona de frenagem, Piquet mergulhou por dentro na curva à direita. Ficou no lado com mais aderência. Salazar seguiu à esquerda, numa faixa de asfalto menos favorável. Os dois chegaram lado a lado à freada para a chicane.

A ATS não desacelerou no mesmo ritmo da Brabham. Salazar deslizou na parte suja da pista e atingiu o carro de Piquet. Os dois abandonaram antes que o brasileiro pudesse fazer sua parada. Patrick Tambay assumiu a liderança, à frente de Arnoux, e a disputa prosseguiu sem a Brabham.

O problema que veio à tona

A colisão parecia explicar o fim da corrida de Piquet. Mas o motor BMW já dava sinais de problema. Desde a décima volta, estalava e soltava estouros. A confiabilidade era uma preocupação para a equipe: numa única sessão de testes em Paul Ricard, na França, a Brabham sofreu nove quebras de motor.

A explicação sobre aquele motor só chegou anos depois. Em 1993, numa festa anual da BMW, Piquet conversou com Paul Rosche. Segundo o brasileiro, Rosche contou que, em Munique, encontraram a saia de um pistão começando a se romper. Piquet concluiu que o motor quebraria mesmo sem o acidente.

Vários dirigentes da BMW estavam em Hockenheim. A batida os poupou de ver o motor da fabricante falhar em seu Grande Prêmio em casa. Ao descobrir isso, Piquet telefonou para Salazar. Pediu desculpas pela agressão e levou a ele o agradecimento da BMW.

A cena que começou como um ataque de raiva ganhou outro sentido com o passar dos anos. A colisão tirou os dois pilotos da prova e encerrou a chance de vitória de Piquet naquele dia. Também revelou que a Brabham talvez enfrentasse uma quebra de qualquer maneira. O brasileiro procurou o adversário que havia agredido e encerrou o episódio com um pedido de desculpas — e uma informação inesperada sobre o que poderia ter acontecido depois.

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