O dia em que Nacional e Master caíram com trinta anos de diferença
Vídeo completoBancos e automobilismo
Trinta anos separam duas quedas bancárias ligadas a pilotos brasileiros. Bonés, patrocínios e uma coincidência no calendário conectam as histórias.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master S/A. Trinta anos antes, na mesma data, o Nacional perdeu seus antigos dirigentes quando o Banco Central assumiu seu comando. Duas decisões bancárias separadas por três décadas. Entre elas, uma coincidência atravessa o automobilismo: um boné azul ligado a Ayrton Senna e uma marca que apoiou Felipe Drugovich.
O boné azul e a aposta no campeão
No começo da carreira de Senna na Fórmula 1, o Banco Nacional apostou no brasileiro. Seu boné azul o acompanhou até o tricampeonato. A parceria deixou uma imagem duradoura: o símbolo de um banco associado à ascensão de um piloto ao topo do esporte.
Anos depois, outro banco se ligou a um campeão brasileiro. Felipe Drugovich conquistou a Fórmula 2 em 2022 e, em maio do ano seguinte, o Banco Master tornou-se parceiro da Aston Martin. A marca apareceu na asa traseira do AMR23 durante o Grande Prêmio de Miami. O acordo, de cerca de 26 milhões de reais, incluía o programa de testes de Drugovich.
Mas o caminho do piloto não levou à largada de um Grande Prêmio de Fórmula 1. Entre 2023 e 2025, ele foi reserva e piloto de testes da Aston Martin. Sem vaga de titular, passou à Fórmula E. Depois de disputar duas corridas pela Mahindra, em Berlim, assinou com a Andretti para uma temporada completa: a de 2025–26.
Duas datas, duas medidas
A coincidência de calendário esconde uma diferença importante. Em 18 de novembro de 1995, o Banco Central decretou para o Nacional o Regime de Administração Especial Temporária, conhecido como RAET. A medida afastou os antigos dirigentes. Não foi uma liquidação: o banco só seria liquidado em 13 de novembro de 1996. Naquele período, operações e clientes foram transferidos ao Unibanco, enquanto o patrimônio remanescente ficou sob administração especial.
A comissão do Banco Central encontrou 652 contas de empréstimos mantidas irregularmente como créditos normais, embora devessem ter sido reconhecidas como prejuízo. No caso do Master, a decisão de 18 de novembro de 2025 foi outra: o Banco Central decretou a liquidação da instituição.
A investigação da Polícia Federal apontou que o Master teria vendido ao Banco de Brasília carteiras de crédito sem lastro e supervalorizadas. Daniel Vorcaro negou à Polícia Federal que as operações com o BRB tivessem causado o prejuízo de 12 bilhões de reais apontado na investigação. Ele ainda não foi julgado.
O custo da queda
O Fundo Garantidor de Créditos havia sido criado em 16 de novembro de 1995, apenas dois dias antes do início do RAET no Nacional. Em janeiro de 2026, após a liquidação do Master, o FGC foi acionado para ressarcir correntistas e investidores elegíveis, dentro dos limites legais. No começo de fevereiro, os pagamentos já somavam 36 bilhões de reais, o maior acionamento da história do fundo.
O contraste fica entre duas imagens. O boné azul de Senna acompanhou um tricampeão até o topo. A marca do Master ocupou a asa traseira da equipe em que Drugovich trabalhou como reserva e piloto de testes, sem chegar à largada da Fórmula 1. A mesma data reuniu a ascensão de uma memória esportiva e a queda de dois bancos, cada um sob uma medida diferente e com consequências que continuaram muito depois daquele dia.